A preparação das empresas para a Reforma Tributária ainda enfrenta um gargalo tecnológico a poucos meses do início de uma nova etapa da transição. Apenas 1% das médias e grandes empresas consultadas em um levantamento considera que sua área de Tecnologia da Informação (TI) está pronta para conviver com os atuais e os novos sistemas tributários.
A pesquisa foi realizada pela Roit entre maio e junho de 2026 com 70 diretores e gestores das áreas financeira, fiscal e de tecnologia de médias e grandes empresas de sua base. Juntas, as companhias participantes somam mais de R$ 2 trilhões em receitas anuais.
Os resultados indicam que o desafio não está apenas na adaptação dos sistemas. Parte das empresas ainda não conhece os efeitos financeiros que a mudança poderá provocar no próprio negócio.
Segundo o levantamento, 24% ainda não fizeram simulações dos impactos financeiros da Reforma Tributária, enquanto 37% não avaliaram os efeitos do split payment sobre o capital de giro e 34% não sabem como os preços de seus produtos e serviços poderão ser afetados em 2027.
40% das empresas ainda estão planejando adequações de TI
Quando o levantamento questionou especificamente o estágio de preparação tecnológica, somente 1% declarou que a área de TI está pronta para operar durante o período em que os dois sistemas tributários coexistirão.
Outros 40% ainda estão na fase de planejamento, enquanto 31% afirmaram já ter iniciado as adequações.
Há ainda 14% que se consideram não preparados e 13% que sequer haviam iniciado a discussão sobre o assunto.
O resultado ganha relevância diante do cronograma da Reforma Tributária.
A transição exige que empresas consigam lidar simultaneamente com regras do sistema atual e dos novos tributos. A CBS substituirá PIS e Cofins a partir de 2027, enquanto a substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS seguirá nos anos posteriores até a conclusão da transição.
Assim, a adaptação tecnológica não envolve simplesmente substituir códigos de impostos dentro dos sistemas.
Empresas terão de administrar dois modelos tributários durante a transição, com reflexos sobre faturamento, documentos fiscais, apuração, créditos, cadastros, integrações e conciliação das informações.
Reforma já exige mudanças nos sistemas em 2026
Embora a transição seja gradual, as adaptações tecnológicas já fazem parte da rotina das empresas em 2026.
Ao longo do ano, os documentos fiscais eletrônicos começaram a receber campos e regras relacionados ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Também vêm sendo disponibilizados novos leiautes, arquivos XSD, APIs e ambientes tecnológicos relacionados à implementação dos novos tributos.
Isso significa que a preparação de TI deixou de ser uma providência voltada apenas para 2027.
As empresas precisam garantir que ERPs, emissores de documentos fiscais e demais sistemas envolvidos nas operações estejam preparados para receber, processar e transmitir as novas informações tributárias.
O desafio aumenta porque uma alteração tributária pode repercutir em diferentes etapas da operação, desde o cadastro do produto até a emissão do documento fiscal e a contabilização da transação.
24% ainda não calcularam impacto financeiro da Reforma
O atraso também aparece fora da área tecnológica.
Segundo a pesquisa, praticamente uma em cada quatro empresas consultadas — 24% — ainda não realizou qualquer simulação dos impactos financeiros da Reforma Tributária.
Entre aquelas que já fizeram algum cálculo, a profundidade das análises varia.
A maior parcela, 49%, realizou apenas simulações preliminares. Outros 19% fizeram análises utilizando dados estruturados.
Somente 9% chegaram a realizar análises detalhadas por item e fornecedor.
Essa diferença pode ser relevante porque os efeitos da Reforma não serão necessariamente uniformes dentro de uma mesma empresa.
Produtos, serviços, fornecedores e operações podem ter tratamentos tributários distintos, o que exige um nível maior de granularidade para estimar corretamente os efeitos sobre custos, créditos e preços.
Split payment ainda não entrou na projeção de 37% das empresas
Outro dado que chama atenção envolve o split payment.
De acordo com o levantamento, 37% das empresas ainda não avaliaram como o mecanismo poderá afetar o capital de giro.
O modelo prevê a segregação do valor correspondente aos tributos durante a liquidação financeira da operação, conforme as regras e o cronograma de implementação estabelecidos para o novo sistema.
A mudança pode alterar a dinâmica financeira das empresas porque interfere no fluxo entre o recebimento de uma venda e a destinação dos recursos tributários.
Por isso, avaliar o split payment não é uma tarefa exclusivamente fiscal.
Tesouraria, controladoria, contabilidade e planejamento financeiro também precisam participar das simulações para identificar os possíveis reflexos sobre a necessidade de capital de giro.
Uma em cada três empresas ainda não sabe efeito sobre preços
A incerteza também chega à precificação.
A pesquisa aponta que 34% das empresas não sabem se seus produtos e serviços ficarão mais caros, mais baratos ou manterão os preços atuais em 2027.
Outros 27% não sabem se a margem de lucro deverá aumentar, diminuir ou permanecer neutra.
O resultado mostra que a adaptação à Reforma Tributária ultrapassa a área responsável pelo cumprimento das obrigações fiscais.
A formação de preços precisará considerar a nova sistemática de créditos, a tributação das operações, a estrutura da cadeia de fornecedores e os efeitos financeiros da transição.
Sem essas informações, empresas podem chegar a 2027 sem saber qual margem efetivamente terão após a entrada da CBS e o avanço das novas regras.
Contratos também estão atrasados
Outro ponto identificado pelo levantamento é a revisão contratual.
Segundo a pesquisa, 37% das empresas ainda não revisaram seus contratos considerando as novas regras tributárias.
A análise contratual é importante porque alterações na carga tributária, na formação de créditos e na precificação podem interferir nas relações entre clientes e fornecedores.
Contratos de longo prazo que atravessarem a transição merecem atenção especial, principalmente quando os preços foram definidos considerando a estrutura tributária anterior.
Fornecedores aumentam preocupação
A preparação interna também não resolve sozinha todo o problema.
A percepção captada pelo levantamento é de que a maioria das empresas considera seus fornecedores pouco ou nada preparados para a Reforma Tributária.
Esse aspecto ganha importância em um modelo baseado em créditos.
Problemas na qualidade das informações fiscais ou na adaptação tecnológica de uma empresa podem produzir efeitos ao longo da cadeia.
Assim, o diagnóstico de preparação precisa incluir não apenas os sistemas internos, mas também a capacidade dos fornecedores de gerar documentos e informações compatíveis com o novo modelo.
Reforma exige integração entre fiscal, contabilidade e TI
Os resultados reforçam que a preparação para 2027 não deve ficar concentrada exclusivamente no departamento fiscal.
A área tributária precisa definir corretamente as regras aplicáveis às operações; a contabilidade deve acompanhar seus reflexos; o financeiro precisa projetar caixa e margens; e a tecnologia deve transformar essas definições em parametrizações, integrações e processos capazes de operar efetivamente no novo sistema.
Para os profissionais contábeis, o cenário também amplia o papel de orientação junto aos clientes.
Além de acompanhar a legislação, será necessário identificar empresas que ainda não iniciaram as adaptações e ajudar a transformar as mudanças tributárias em informações que possam ser utilizadas por TI, financeiro, compras, comercial e gestão.
O dado de que apenas 1% dos participantes considera sua TI preparada serve, portanto, como alerta: a Reforma Tributária já está avançando tecnologicamente, enquanto uma parcela significativa das empresas ainda permanece nas fases iniciais de planejamento e simulação.
Fonte: Contábeis
Desenvolvido por Sitecontabil 2022 | Todos os direitos reservados
Esta Política de Cookies explica o que são cookies e como os usamos. Você deve ler esta política para entender o que são cookies, como os usamos, os tipos de cookies que usamos, ou seja, as informações que coletamos usando cookies e como essas informações são usadas e como controlar as preferências de cookies. Para mais informações sobre como usamos, armazenamos e mantemos seus dados pessoais seguros, consulte nossa Política de Privacidade. Você pode, a qualquer momento, alterar ou retirar seu consentimento da Declaração de Cookies em nosso site.Saiba mais sobre quem somos, como você pode entrar em contato conosco e como processamos dados pessoais em nossa Política de Privacidade. Seu consentimento se aplica aos seguintes domínios: 4kcontabilidade.com.br
Coletamos os dados do usuário conforme ele nos fornece, de forma direta ou indireta, no acesso e uso dos sites, aplicativos e serviços prestados. Utilizamos Cookies e identificadores anônimos para controle de audiência, navegação, segurança e publicidade, sendo que o usuário concorda com essa utilização ao aceitar essa Política de Privacidade.
Como vocês obtêm meu consentimento? Quando você fornece informações pessoais como nome, telefone e endereço, para completar: uma solicitação, enviar formulário de contato, cadastrar em nossos sistemas ou procurar um contador. Após a realização de ações entendemos que você está de acordo com a coleta de dados para serem utilizados pela nossa empresa. Se pedimos por suas informações pessoais por uma razão secundária, como marketing, vamos lhe pedir diretamente por seu consentimento, ou lhe fornecer a oportunidade de dizer não. E caso você queira retirar seu consentimento, como proceder? Se após você nos fornecer seus dados, você mudar de ideia, você pode retirar o seu consentimento para que possamos entrar em contato, para a coleção de dados contínua, uso ou divulgação de suas informações, a qualquer momento, entrando em contato conosco.
Podemos divulgar suas informações pessoais caso sejamos obrigados pela lei para fazê-lo ou se você violar nossos Termos de Serviço.
No geral, os fornecedores terceirizados usados por nós irão apenas coletar, usar e divulgar suas informações na medida do necessário para permitir que eles realizem os serviços que eles nos fornecem. Entretanto, certos fornecedores de serviços terceirizados, tais como gateways de pagamento e outros processadores de transação de pagamento, têm suas próprias políticas de privacidade com respeito à informação que somos obrigados a fornecer para eles de suas transações relacionadas com compras. Para esses fornecedores, recomendamos que você leia suas políticas de privacidade para que você possa entender a maneira na qual suas informações pessoais serão usadas por esses fornecedores. Em particular, lembre-se que certos fornecedores podem ser localizados em ou possuir instalações que são localizadas em jurisdições diferentes que você ou nós. Assim, se você quer continuar com uma transação que envolve os serviços de um fornecedor de serviço terceirizado, então suas informações podem tornar-se sujeitas às leis da(s) jurisdição(ões) nas quais o fornecedor de serviço ou suas instalações estão localizados. Como um exemplo, se você está localizado no Canadá e sua transação é processada por um gateway de pagamento localizado nos Estados Unidos, então suas informações pessoais usadas para completar aquela transação podem estar sujeitas a divulgação sob a legislação dos Estados Unidos, incluindo o Ato Patriota. Uma vez que você deixe o site da nossa loja ou seja redirecionado para um aplicativo ou site de terceiros, você não será mais regido por essa Política de Privacidade ou pelos Termos de Serviço do nosso site. Quando você clica em links em nosso site, eles podem lhe direcionar para fora do mesmo. Não somos responsáveis pelas práticas de privacidade de outros sites e lhe incentivamos a ler as declarações de privacidade deles.
Para proteger suas informações pessoais, tomamos precauções razoáveis e seguimos as melhores práticas da indústria para nos certificar que elas não serão perdidas inadequadamente, usurpadas, acessadas, divulgadas, alteradas ou destruídas.
Reservamos o direito de modificar essa política de privacidade a qualquer momento, então por favor, revise-a com frequência. Alterações e esclarecimentos vão surtir efeito imediatamente após sua publicação no site. Se fizermos alterações de materiais para essa política, iremos notificá-lo aqui que eles foram atualizados, para que você tenha ciência sobre quais informações coletamos, como as usamos, e sob que circunstâncias, se alguma, usamos e/ou divulgamos elas. Se nosso site for adquirido ou fundido com outra empresa, suas informações podem ser transferidas para os novos proprietários para que possamos continuar a vender produtos e serviços para você